Ceará aposta na infraestrutura de fibra óptica para atrair data centers ao interior
25 de maio de 2026 - 11:40 #Conectividade #Data Centers #Etice #Inovação
Gerência de Comunicação e Marketing (Gecom) - texto e fotos.
O projeto da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) de utilizar a malha do Cinturão Digital do Ceará (CDC) para atrair data centers ao interior do estado ganhou respaldo técnico em estudo apresentado por Luciano Charlita de Freitas, especialista sênior do Banco Mundial, apresentado na sexta-feira (dia 22) no 24º Ciclo de Palestras do Núcleo de Direito Setorial e Regulatório da Universidade de Brasília (UnB). A iniciativa cearense consiste na ativação de sete pares de fibra óptica para estimular investidores a instalarem infraestruturas de dados em municípios que possuam geração de energia solar ou eólica.
De acordo com Charlita, a existência de uma rede de alta velocidade (especificamente a fibra óptica) é o pilar central para a interiorização de data centers por razões técnicas, econômicas e de experiência do usuário. A fibra óptica, segundo ele é a “regra de ouro” para garantir a baixa latência e a alta capacidade de tráfego de dados. Sem essa infraestrutura, o deslocamento do investimento de centros globais (como Fortaleza) para o interior torna-se inviável, pois a rede é o que sustenta a viabilidade técnica da operação, constata.
O desafio do Redata e a competição global
Durante o evento, Charlita trouxe um alerta sobre o Redata, classificando-o como uma “tentativa explícita do Brasil de se posicionar como um hub global” para investimentos em serviços e produtos de dados. No entanto, o especialista alertou que o debate sobre o programa encontra-se atualmente “adormecido” em função da agenda política do país.
Essa estagnação preocupa, pois, enquanto o Brasil reduz o ritmo, concorrentes diretos como a Índia têm avançado rapidamente no posicionamento como provedores globais de nuvem. Para Charlita, o sucesso de iniciativas como o Redata é fundamental para que o país não perca o pioneirismo em um mercado onde os investidores buscam locais seguros e com regulação consolidada.
A “regra de ouro” da fibra óptica
Apesar dos desafios federais, o Ceará mantém sua relevância estratégica. Fortaleza já é o principal destino de investimentos no Brasil por receber 16 cabos submarinos, o que garante baixíssima latência para o mercado global. Para que essa expansão chegue ao interior, Charlita reforçou que a fibra óptica é a “regra de ouro”, sendo a única tecnologia capaz de oferecer a alta capacidade e a rapidez de resposta necessárias para o uso cotidiano da nuvem.
Essa infraestrutura de fibra permite a criação de data centers de borda (edge computing), que processam dados mais próximos do consumidor final. Isso significa que um morador do interior poderá utilizar serviços complexos de inteligência artificial ou streaming sem que a informação precise viajar até a capital ou para o exterior.
Dados como commodities e futuro do mercado
O estudo destaca que os dados passaram a ser tratados como commodities através do conceito de Unidade de Produção de Dados (DPU). Nesse cenário, grandes empresas de tecnologia decidem onde investir baseando-se no menor custo agregado, onde a energia é o fator de maior peso, representando o custo principal para manter os sistemas operando e resfriados 24 horas por dia.
Segundo Charlita, o potencial econômico para o Brasil é massivo: o mercado nacional de data centers cresce 20% ao ano. A projeção é que o faturamento do setor no país alcance US$ 300 bilhões até 2030, consolidando a infraestrutura digital como a espinha dorsal da nova economia mundial.