Fortaleza ´briga´ para sediar condomínio de datacenters

30 de agosto de 2012 - 14:06

A oferta de incentivos fiscais às empresas responsáveis será um dos fatores determinantes

Brasília. Fortaleza é forte candidata para abrigar o chamado condomínio de datacenters pensado pelo Ministério das Comunicações (MInicom) e que visa potencializar a transmissão de dados no Brasil. A Capital cearense foi testada em um estudo com outras quatro cidades brasileiras no ano passado e teve seu potencial destacado por ser ponto de passagem de praticamente todas as informações transmitidas entre o Brasil e o mundo via cabos de fibra ótica, externos e submarinos. “Foi muito bom o teste, muito bom mesmo. E lá (Fortaleza) é uma forte candidata, pois sua localização é ideal”, reforçou o diretor de política industrial do Minicom, José Gontijo, durante o 56º Painel Telebrasil, realizado em Brasília.

Com a instalação de um datacenter já confirmado pela Telebrás e a Prefeitura, Fortaleza tem a localização próxima aos continentes europeu e africano, além dos Estados Unidos – com os quais já é conectada – o que conta a seu favor. Gontijo, no entanto, não revelou quais são os rivais de Fortaleza e limitou-se a dizer que eles estão localizados um em cada região do País. Já o prazo para a definição segue incerto, apenas com o desejo de acontecer até 2014, “ainda dentro deste governo”, disse.

Quesitos testados

Ele informou ainda que o estudo foi feito em parceria com o Departamento de Banda Larga do Minicom e, durante a análise das cidades, foi observada a latência de cada uma delas, ou seja, a velocidade da transmissão de dados entre os municípios e os pontos já existentes.

“Nós consultamos as cidades para saber o quanto a rede terrestre dá de latência e depois comparamos com a rede submarina e depois fizemos arranjos de como e por onde passam os pontos (trechos terrestres e aquáticos)”, revelou. Outra possibilidade levantada pelo diretor de Política Industrial do Minicom é promover a construção de outro ponto de convergência como o existente em Fortaleza, “mas isso ainda está sob análise”.

Tributação é determinante

Outro fator relevante para a escolha da cidade que irá abrigar o empreendimento pensado pelo Minicom, segundo Gontijo, trata-se dos incentivos fiscais disponibilizados. “A gente tem que criar um mecanismo que seja viável do ponto de vista econômico e conseguir incentivos fiscais, sobretudo do Sudeste, é mais complicado”, explicou o diretor, que, na contramão, citou o Nordeste como uma região mais propensa a abrir mão de tributos. De acordo com ele, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo teve um encontro com o governador Cid Gomes ainda no ano passado para negociar isto e, mais uma vez, “Fortaleza foi tida como forte candidata”.

Modelo semelhante à ZPE

Gontijo também adiantou sobre as duas possibilidades de se estruturar o condomínio de datacenters. Segundo ele, o primeiro modelo, mais simples, seria oferecer um prédio para que as empresas interessadas instalassem todo o equipamento necessário para o funcionamento delas lá. Ao todo, o custo disso estaria estimado em R$ 60 milhões, conforme disse, mas não é o seu preferido. “Normalmente, a empresa prefere construir o prédio só para ela, para ter a segurança própria. Se for um prédio único, pode ser que um dessas grandes não queira entrar”, explicou, afirmando a experiência pelo segundo modelo. Segundo ele, o ministério ou o governo do local no qual será instalado o condomínio deve disponibilizar uma área para que as empresas possam projetar e instalar seus próprios datacenters, “semelhante ao que é feito nas Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs)”.

Como condôminos do empreendimento, ele ainda revelou que negociações com grandes multinacionais estão sendo feitas “já há algum tempo” e entre elas, ele citou Yahoo, Google, IBM e Mercado Livre.

Responsável pela outro departamento do Minicom envolvido no estudo, o diretor de Banda Larga Artur Coimbra acrescenta que eles buscam “identificar quanto tem que incentivar para atrair as empresas do setor”.

“O ponto é responder uma questão objetiva: quanto mais barato tem que ficar para que se atraia conteúdos que hoje estão fora do Brasil”, detalha.

 

 

Fonte: (Diário do Nordeste)